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"O governo tem que reduzir gastos"

Jornal do Brasil
Economista formado pela Universidade Mackenzie (SP), principal executivo do Banco Indusval Multistock e da Indusval Multistock Corretora de Câmbio e Valores e presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) desde 1997, Manoel Félix Cintra Neto acha que a CPMF prejudica o crescimento do país e pune principalmente as classes menos favorecidas. Assinala ainda que, antes de pensar em reforma tributária, "o governo deve fazer todos os esforços para reduzir os gastos públicos". Para ele, "na medida em que o custo do governo seja menor, poderemos ter impostos menores".

Como o senhor analisa a crise global nos mercados, que está afetando, inclusive, o mercado brasileiro?

Até aqui, entendemos essa crise como transitória. Localizada na questão dos subprimes americanos que, é claro, atingiu a Europa, a Ásia, enfim, o mundo todo, porque, além de a economia americana estar interligada com a economia do resto do planeta, os grandes investidores e os bancos detinham posições em subprimes e foram todos afetados, de uma maneira geral. Mas o impacto atingiu o Brasil em um momento muito satisfatório. Nos últimos anos, o país vem obtendo grandes conquistas no campo econômico, como o controle efetivo da inflação, o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal dos Estados e municípios. E essas conquistas possibilitaram ao Brasil criar reservas da ordem de US$ 160 bilhões, número que paga toda a dívida externa, pública e privada, razão pela qual essa crise não chegou a nos afetar. Principalmente se for transitória, como eu disse. Se não for, aí poderemos ter alguns problemas.

Na sua opinião, ela já terminou?

Ninguém sabe. Essa é uma pergunta difícil de responder. Hoje estive com um banqueiro europeu e, na opinião dele, como os balanços dos grandes bancos envolvidos com os suprimes saem agora em outubro, esse é o momento de saber se a crise terminou, se foi transitória. Os balanços é que vão revelar se ainda há cadáveres nos armários ou se a coisa parou por aí. O sentimento desse banqueiro é de que foi um acontecimento locallizado e que deve ter amainado.

O senhor acha que vai ter efeitos sobre a economia real dos Estados Unidos e, portanto, do resto do mundo?

Bem, sempre que os Estados Unidos são afetados, o resto do mundo também é. É provável que a economia americana tenha o seu crescimento comprometido de certa forma. Mesmo nós, aqui no Brasil, que projetamos para este ano um crescimento de 5%, provavelmente teremos que aceitar um índice menor. Além disso, há a ameaça de inflação, porque temos um problema fiscal representado pelo excessivo gasto público. E essa última ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) mostra essa preocupação. Mas, se o Banco Central continuar a imprimir uma política cautelosa, nós passaremos por essa.

Boa parte dos analistas acha que teremos mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica e depois estará encerrado o ciclo de cortes. O senhor concorda?

Costumo não dar muito palpite quando se trata de Copom. Mas costumo dizer que o mercado sempre acerta.

Como o senhor vê a questão da CPMF e a insistência do governo em fazer com que esse imposto sobreviva?

Esse imposto, como disse recentemente a Anne Krüger, é uma das piores coisas que ela já viu em termos de tributação. Até porque pune, principalmente, as classes menos favorecidas. Hoje, a CPMF prejudica enormemente o crescimento do Brasil. Não tenho dúvida de que se trata de um dos componentes mais importantes do custo Brasil. Foi um imposto criado para gerar recursos para a saúde, mas a saúde nunca viu esse dinheiro. O pior é que não há só a CPMF. Há PIS, Cofins e muitos outros.

O senhor acredita que o governo esteja com a intenção honesta de fazer uma reforma tributária como tem anunciado?

Reforma tributária se anuncia há muito tempo. Eu, sinceramente, já me decepcionei e não acredito mais em uma reforma tributária autêntica, que possibilitaria o crescimento do país e o surgimento de um ciclo virtuoso, com menos impostos e maior arrecadação, devido ao crescimento da eonomia. Quando se fala em reforma tributária, as prefeituras pensam em aumentar seus impostos e diminuir os dos outros; os Estados, a mesma coisa, e o governo federal, idem. Então, de que reforma tributária se está falando? Antes disso, o governo deve fazer todos os esforços para reduzir os gastos públicos. Na medida em que o custo do governo for menor, poderemos ter impostos menores. Mas a tendência é exatamente oposta.

Mas o empresariado brasileiro está otimista.

É verdade. Nós vivemos nos últimos anos momentos muito satisfatórios na economia mundial com uma liquidez muito grande. Além disso, todas as commodities - e o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities - registraram alta de preços, em função da entrada dos países asiáticos, principalmente a China, no mercado. Da mesma forma, os preços dos produtos industrializado mantiveram-se estabilizados. Isso possibilitou que os países emergentes tivessem números favoráveis em suas respectivas balanças comerciais. O Brasil foi um desses países que tiveram ganhos em suas transações comerciais. Em resumo, estamos vivendo um momento especialmente satisfatório, em razão dessa liquidez mundial.