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Impostos e baixa escolaridade atrapalham o país

Valor Econômico
Baixo crescimento econômico, níveis de escolaridade e de qualificação ainda precários e pouco investimento em infra-estrutura e em tecnologia são algumas das razões apontadas para a expansão tímida da produtividade do trabalho no Brasil nos últimos 25 anos. Ao mesmo tempo, a mudança estrutural vivida por duas grandes economias, a americana, que passou a agregar cada vez mais valor a seus produtos e serviços, e a chinesa, que passou de rural para urbana, fez com que os ganhos de produtividade brasileiros, quando comparados aos destes países, ficassem mais irrisórios.

Enquanto neste período a China investiu em novas tecnologias e em escala, o Brasil focou sua produção em bens de baixo valor agregado (como as commodities), viu a carga tributária crescer ano a ano e sua população se escolarizar a um ritmo bastante aquém nas necessidades do país. O resultado disto foi o desestímulo ao investimento privado e o envelhecimento da estrutura produtiva, seja ela na área industrial ou na de serviços.

O professor e pesquisador do Grupo de Indústria e Competitividade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), David Kupfer, conta que os Estados Unidos aproveitaram o crescimento de outros países, como os asiáticos, e transferiram a produção de bens de menor valor agregado para estas nações. Com essa estratégia, concentraram sua atividade na indústria e nos serviços de alta tecnologia. "Um webdesigner produz muito mais valor agregado por hora trabalhada do que um gráfico", exemplifica o economista. Os serviços ligados à tecnologia da informação, nos quais o país é forte, também contribuem de maneira significativa para o aumento da produtividade.

A realidade brasileira é muito diferente. No ramo dos serviços, a atividade com maior número de vagas é a empregada doméstica, uma função de baixa qualificação e que pouco valor agrega à estrutura econômica do país. Samuel Pessoa, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acredita que a educação é peça-chave para aumentar a eficiência das atividades econômicas. Para ele, a escolaridade precária dos brasileiros explica, por exemplo, porque a Argentina é mais produtiva do que o Brasil. "Além de mais qualificados, eles também são mais bem dotados de recursos naturais", complementa.

Para Mariano Laplane, professor do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Unicamp, enquanto o país não crescer a taxas mais robustas, será muito difícil obter ganhos significativos de produtividade. "É claro que já ficamos mais produtivos, sem crescer mais, porém, quando isso ocorreu, foi à custa da redução de empregos e da expansão das importações", esclarece, referindo-se ao período de abertura comercial vivido pelo país no final da década de 80. Segundo Laplane, é preciso que ocorra uma retro-alimentação

virtuosa: a economia cresce, os investimentos aumentam, a produtividade se eleva, o que faz com que o valor agregado pelo país, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB), se expanda ainda mais e assim por diante.

Os economistas também atentam para o fato de que o indicador da Organização Internacional do Trabalho (OIT) leva em conta todos os setores de atividade econômica e não apenas a indústria. Isso quer dizer, então, que, na média, a produtividade do Brasil se reduziu em relação a dos Estados Unidos, mas, em alguns setores (da indústria, agricultura ou mesmo de serviços), ela pode ser maior e também ter avançado a passos largos.

Para Laplane, este é o caso da agricultura. "Não tenho dúvida de que somos muito mais produtivos e temos mais tecnologia do que os EUA na produção de vários bens agrícolas", diz. Ao mesmo tempo, no setor industrial e de serviços, o país tem atividades que são bem menos produtivas.

Apesar do cenário pouco animador visto entre os anos 1980 e 2005, Laplane acredita que o país trilha agora um caminho que levará a um patamar maior de produtividade. Os investimentos recentes em infra-estrutura e o maior consumo de máquinas e equipamentos, a seu ver, indicam uma modernização na estrutura produtiva.

Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), no primeiro semestre deste ano, a produtividade do trabalho na indústria (um cálculo mais simples que o da OIT porque não considera o valor agregado em cada setor mas apenas divide o volume produzido pelo total de horas trabalhadas) acumulou uma alta de 3,5%. Esse resultado supera o dos anos fechados de 2006 e 2005, quando o ganho ficou em 2,5% e 2,3%, respectivamente.

Em 2007, o aumento da eficiência ocorreu com crescimento das contratações e das horas trabalhadas, fenômeno que não esteve presente no ano passado. Em 2006, a indústria foi capaz de elevar sua produção sem contratar novos funcionários.