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PANORAMA POLÍTICO / Tereza Cruvinel - A Câmara Alta vai ao chão

Jornal O Globo
O resultado do julgamento do STF produziu a crença de que poderia haver uma saudável reprodução de sua sobriedade e de seu rigor ao apreciar a conduta de agentes da elite política. O que houve ontem no Conselho derrubou em poucas horas essa crença. Os relatores Renato Casagrande e Marisa Serrana, com seus pareceres a favor da cassação do mandato de Renan Calheiros, seguiram o rumo apontado pelo Supremo. Os renanzistas apelaram para a chicana e expoentes da oposição aceitaram a provocação, atravessaram a linha. Até quando o Senado resistirá a isso?

O relatório da dupla de senadores é devastador para a situação de Renan: a par de evidências diversas de atentado ao decoro parlamentar, destaca um delito que o Senado nunca tolerou: a mentira aos pares. Renan teria mentido sobre suas fontes de renda, ao modificar sucessivamente sua narrativa para contestar a acusação da revista "Veja" de que tinha despesas pessoais pagas por um lobista. Não pôde ser votado porque a balbúrdia imperou e os renanzistas apelaram para a proteção com pedidos de vista. Mas, quando for votado, será pelo voto aberto, e a adoção dessa preliminar foi a primeira derrota de Renan, um sinal de que, no Conselho de Ética, suas chances de sair ileso não existem. No plenário, são outros quinhentos.

Ontem, as manobras protelatórias nem ocorreram naquele clima de falsa solenidade típico dos parlamentos, com os atores se tratando por Vossa Excelência em tom de xingamento. Prevaleceu a baixaria mesmo.

O bate-boca entre o senador Tasso Jereissati e o colega Almeida Lima, que brigava para ter seu parecer pró-absolvição também votado, contra o dos outros dois, foi das coisas mais lamentáveis que já se viram no Senado, com insultos machistas deploráveis de um lado e outro. Tasso Jereissati chamou Lima de "palhaço" e "vendido". O outro reagiu, esbravejou, e Tasso o imitou fazendo trejeitos efeminados: "Calma, boneca". Almeida Lima bateu na mesa, acusou a oposição de querer castrar-lhe o direito à palavra e à votação de seu parecer. A turma do deixa-disso evitou que se atracassem. Foi a vez do Arthur Virgílio cair no clima: "Ninguém está querendo castrar Vossa Excelência. Nem no direito à palavra nem de outro modo".

O pedido de vistas do senador Wellington Salgado, cinco minutos após o início da leitura do relatório conjunto da dupla Casagrande e Marisa, foi um acinte ao protocolo parlamentar. Uma confissão de que pedia vistas não para o exame mais detido da peça, como permite o regimento, mas simplesmente para evitar a votação, na expectativa de, com isso, ganhar tempo para evitar a adoção do voto aberto.

O noticiário de hoje dará conta de um festival de atentados ao pudor político e ao decoro. E, como sempre acontece depois das orgias e dos excessos, uma certa depressão baixou sobre a Casa, como resume o líder do DEM, Agripino Maia.

- Com os fatos lamentáveis de hoje, o Senado está se dando conta de sua exaustão. Já fomos ao limite, já estamos perdendo a sobriedade. Por respeito ao país, temos que acabar logo com isso.

Têm mesmo.

Proposta de Chico Alencar para acelerar a abertura dos arquivos da ditadura: redução da interdição de documentos sigilosos de 60 para dez anos, e criação de uma comissão representativa autorizada a vasculhá-los.

A grande bolsa

O que há de melhor no PPA que o governo apresenta hoje para o período 2008-2011 é o salto nos gastos de educação. Para esse quadriênio serão assegurados mais R$35 bilhões, além dos gastos obrigatórios pela Constituição. Embora tenha havido o anúncio de mudança no critério do Bolsa Família (ampliação, de 15 para 17 anos, da idade dos filhos que contam para cálculo do benefício), foi de educação que Lula falou de forma mais obsessiva na reunião, evocando o tripé com que deseja marcar o segundo mandato: crescimento, inclusão e acesso à educação com qualidade.

Parte dos R$35 bilhões adicionais vai para o Fundeb, para que estados e municípios invistam nos ensinos fundamental e médio. Outra parte a União gastará com a criação de 150 escolas técnicas federais, 10 novas universidades e 48 campi novos em universidades já existentes.

Em bilhões de reais, os gastos com educação vêm passando de 18 em 2004 para 20 em 2005, 22 em 2006, 27 este ano e 31 em 2008 (previsão do Orçamento).

SEGUE A LIMPEZA na Anac, com a saída de Jorge Veloso, após a de Denise Abreu. Leur Lomanto também deve espirrar. Mas a ministra Dilma Rousseff ainda está empenhada em segurar Milton Zuanazzi, que continua tendo chances de sobreviver.

O CAOS aéreo ainda ressurge aqui e ali, assombrando o governo. Ontem, o ministro da Saúde ficou uma hora dentro de um avião no pátio do aeroporto de Brasília. Mandou avisar a Jobim.

O SECRETÁRIO nacional de Justiça, Antonio Carlos Biscaia, será deslocado para a Secretaria Nacional de Segurança, deixada por Luiz Fernando Corrêa, que vai dirigir a PF. O deputado Jorge Bittar recusou a Secretaria estadual de Cultura, deixando de propiciar a volta de Biscaia à Câmara como suplente.

 
Fonte:Jornal O Globo em 31/08/2007
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