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BNDES tenta atrair investidores espanhóis

Correio do Estado-MS
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Madri está servindo também para que o Governo brasileiro tente convencer os investidores espanhóis a participar de dois leilões que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoverá em outubro: o de concessões rodoviárias e o do polêmico Projeto Madeira.
Hoje, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, explicará aos investidores as condições de financiamento de ambos os projetos. Ele dará uma palestra no seminário empresarial "Perspectivas da Economia Brasileira".
O primeiro leilão inclui sete lotes de concessões rodoviárias e trechos de rodovias federais. O segundo, marcado para 30 de outubro, é o do Projeto Madeira, que ainda está sujeito a liminares de última hora pelas ameaças dos grupos ambientalistas.
"A licença está concedida. O Governo espera que os grupos espanhóis se associem, mas seria preciso perguntar à ministra (da Casa Civil) Dilma Rousseff se esse leilão será adiado ou não", disse Coutinho.
O projeto prevê a construção de um complexo de quatro usinas hidrelétricas, começando pelas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, com capacidade total de geração de 6.450 MW e uma malha rodoviária de 4,2 mil quilômetros na Amazônia.
Segundo os informes do Governo, as barragens do Rio Madeira serão fundamentais para evitar apagões na próxima década.
O projeto tem sido criticado por ambientalistas, provocou demissões no Ibama e enfrentou os Ministérios do Meio Ambiente e o de Minas e Energia.
De acordo com as previsões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os custos para a construção das duas barragens está estimado em R$ 43 bilhões.
Coutinho comentou também sobre as negociações dos dois grupos europeus que estão tentando comprar o banco holandês ABN-Amro, dono do Banco Real.
No sábado, o presidente do Banco Santander, Emilio Botín, disse a políticos brasileiros que as conversas estão encaminhadas, mas nenhum acordo foi assinado ainda.
Um dos grupos está formado pelo consórcio que inclui o espanhol Santander, o escocês Royal Bank of Scotland e o belga-holandês Fortis. O concorrente é o Barclays , numa disputa que já dura cinco meses.
Segundo o presidente do BNDES, "o setor bancário brasileiro não é tão concentrado como em outros países e esta compra não significará um impacto suficiente para provocar uma intervenção para investigar o excesso de concentração de negócios".
Se a venda do ABN-Amro for confirmada, o Banco Real passará do quarto ao segundo ou terceiro lugares entre as maiores instituições bancárias no Brasil, de acordo com as previsões do BNDES.