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Projeto para jovem pobre deve quadruplicar

Prima Pagina/Por Sarah Fernandes
O governo federal decidiu alterar seu programa de formação profissional de jovens pobres, de modo a ampliar a faixa etária atendida, abranger mais municípios e aumentar o número de pessoas que são pagas para fazer estudo básico. Com isso, a previsão é proporcionar 1,78 milhão de vagas em 2010, elevando em quase 300% a oferta atual (467 mil).


A expansão é resultado da unificação de seis projetos já existentes, agora aglutinados sob o nome de um desses seis, o ProJovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens). A iniciativa, que deverá ser implementada a partir de 2008, continuará a oferecer educação técnica e básica para jovens, mas vai aumentar o limite de idade de 24 para 29 anos. O investimento projetado é de R$ 5,4 bilhões.


O novo ProJovem se subdivide em quatro categorias: Projovem Urbano, ProJovem Campo, ProJovem Trabalhador e ProJovem Adolescente. Os três primeiros são voltados a jovens pobres entre 18 e 29 anos. Eles receberão uma bolsa auxílio de R$ 100 e terão currículo e carga horária unificados. Já o ProJovem Adolescente será direcionado aos que têm entre 15 a 17 anos e não vai conceder bolsa. As ações serão estendidas a prisões e unidades de internação de adolescentes.


O programa foi lançado na quarta-feira, em Brasília, e será administrado pela Secretaria-Geral da Presidência da República — por meio da Secretaria Nacional da Juventude — e pelos ministérios do Trabalho, do Emprego, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e da Educação.


O ProJovem Urbano é uma reformulação do ProJovem atual, que oferece educação básica e técnica a desempregados de 18 a 24 anos, nas capitais e regiões metropolitanas, em cursos de um ano. Além de aumentar a idade máxima, a nova versão vai estender as ações a todos os municípios com pelo menos 200 mil habitantes. A duração das atividades curriculares passa para 18 meses, e não é mais necessário estar desempregado para participar. A expectativa é que o total de matrículas passe dos atuais 176 mil para 900 mil em 2010.


O ProJovem Adolescente é um desdobramento do programa Agente Jovem, que oferece aulas e atividades sobre temas como meio ambiente, sexualidade, saúde e combate às drogas. Além de atender adolescentes de famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo, o programa também vai beneficiar jovens atendidos pelo Bolsa Família, participantes do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e pessoas vinculadas aos programas de combate ao abuso e a exploração sexual. A duração do curso passará de 12 para 24 meses, e o número de municípios atendidos deve passar de 1.711 para 4.265 até 2008.


Já o ProJovem Campo vai oferecer ensino fundamental e profissionalizante a jovens que trabalham em agricultura familiar. As aulas abordarão temas ligados ao cultivo da terra e terão horários diferenciados, respeitando os ciclos agrícolas. O novo modelo é uma reformulação do programa Saberes da Terra, ligado à formação de jovens no meio rural, e prevê atender todos os jovens agricultores que não tenham concluído o ensino fundamental. Para isso, a área de atuação será ampliada dos atuais 12 Estados (Bahia, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Piauí, Rondônia, Tocantins, Pará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná), para todas as unidades da Federação. Os participantes receberão a bolsa auxílio a cada dois meses.


O ProJovem Trabalhador tem como principal objetivo oferecer educação profissionalizante para jovens, e é uma unificação dos programas Consórcio Social da Juventude, Juventude Cidadã e Escola de Fábrica, que desenvolvem atividades de formação profissional. Os participantes devem pertencer a famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo, estar matriculados no ensino fundamental, médio ou em cursos de educação de jovens. A carga horária vai passar de 400 horas/aula para 600. O total de vagas deve passar de 174 mil para mais de um milhão até 2010, em todo o país.