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Para analistas brasileiros, desaceleração preocupa mais do que câmbio
BBC Brasil/Por Daniel Gallas A recente valorização do dólar no Brasil, decorrente da instabilidade no mercado financeiro mundial, não é o principal fator de preocupação para a economia brasileira, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
Nesta quinta-feira, o dólar subiu 3,1% e fechou em R$ 2,094, o maior nível registrado desde março. Durante a sessão, a moeda chegou a ser cotada a R$ 2,141. Desde quinta-feira passada, o dólar já subiu 11%.
Segundo os analistas, a conseqüência mais grave da atual instabilidade global para o Brasil seria a desaceleração da economia mundial, que pode afetar diretamente o crescimento brasileiro.
A desaceleração da economia mundial levaria a uma queda na demanda internacional e no preço das commodities, das quais a economia brasileira depende para poder crescer.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, admitiu nesta quinta-feira que a turbulência atual deve reduzir o ritmo de crescimento econômico do país, mas descartou uma recessão.
Desaceleração e ano eleitoral
Alexandre Lintz, economista-chefe do BNP Paribas no Brasil, alerta para o impacto da crise no crescimento brasileiro.
"O que vemos é que o preço de ações e commodities está despencando nos últimos dias, ou seja, os investidores estão mais pessimistas sobre o crescimento global", afirma.
"A parte mais importante da crise é saber como ela afeta o nível de atividade (da economia real do mundo). Se essa crise externa for realmente pesada, ela vai levar a uma desaceleração global e de preço de commodities. Esse é o grande risco para o Brasil", diz Lintz.
Na opinião de Lintz, a desaceleração do crescimento da economia brasileira poderia gerar desconfiança entre os investidores em relação aos gastos públicos brasileiros.
"O Brasil é muito equilibrado no cenário macroeconômico quando o país está crescendo, porque, nesse cenário, a arrecadação é alta e o governo consegue sustentar esse gasto elevado. Com uma desaceleração da economia, não está claro como o governo vai reagir aos gastos, principalmente sendo que o ano que vem será de eleições. Então o investidor começa a se perguntar sobre o governo brasileiro."
Inflação e juro
Um dos riscos de uma valorização contínua do dólar seria o aumento da inflação no Brasil. Para os analistas, no entanto, os preços no Brasil só teriam uma escalada em caso de disparada do dólar.
Para Lintz, se o dólar se mantiver no atual nível durante as próximas semanas – em torno de R$ 2,10 – o aumento calculado no índice de inflação IPCA seria de cerca de 0,8%.
Nesse caso, a inflação até poderia passar do centro da meta do governo federal, que é de 4,5%, mas ainda assim ficaria dentro da meta oficial, que possui margem de oscilação de dois pontos para mais ou para menos.
"O fato de a inflação estar muito baixa e a expectativa de inflação estar muito bem ancorada, limita esse repasse potencial (da mudança cambial para a inflação)", afirma Lintz.
Segundo ele, mesmo no caso de uma valorização grande do dólar, o Banco Central ainda poderia influir no mercado de câmbio, pois possui reservas elevadas – de cerca de US$ 158 bilhões.
"O governo se protegeu bastante para essa eventual crise. Então seria a hora de usar esse seguro todo", diz.
Outra preocupação dos analistas é em relação ao juro brasileiro, que vem seguindo uma tendência de queda a cada reunião do Copom.
"Em relação à taxa de juros, eu acho que nós estamos muito dependentes no cenário externo e em como o Federal Reserve (banco central americano) vai se comportar daqui para frente" diz Roberto Teixeira da Costa, sócio-fundador da Prospectiva Consultoria.
"O quadro externo é o que preocupa mais. Nós não temos uma transparência muito clara da encrenca do subprime. O que era uma crise de subprime acabou extravasando para uma crise de confiança, que é muito mais difícil de administrar."
Tamanho do problema
Os analistas brasileiros divergem sobre o tamanho do problema nos mercados globais.
Para Costa, "os acontecimentos recentes mostram que estamos vivendo uma coisa mais séria do que uma simples freada de acomodação".
Já a economista Ana Carla Abrão Costa, da Tendências Consultoria, acredita que a atual instabilidade não vai durar por muito tempo e que, portanto, a economia brasileira não estaria exposta a uma crise.
A Tendências Consultoria mantém a previsão feita antes das turbulências recentes de que o dólar fechará o ano abaixo de R$ 1,90.
Segundo a economista, é necessário haver um sinal mais claro – como a quebra de uma grande instituição internacional – para caracterizar a atual turbulência como crise.
Nesta quinta-feira, o dólar subiu 3,1% e fechou em R$ 2,094, o maior nível registrado desde março. Durante a sessão, a moeda chegou a ser cotada a R$ 2,141. Desde quinta-feira passada, o dólar já subiu 11%.
Segundo os analistas, a conseqüência mais grave da atual instabilidade global para o Brasil seria a desaceleração da economia mundial, que pode afetar diretamente o crescimento brasileiro.
A desaceleração da economia mundial levaria a uma queda na demanda internacional e no preço das commodities, das quais a economia brasileira depende para poder crescer.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, admitiu nesta quinta-feira que a turbulência atual deve reduzir o ritmo de crescimento econômico do país, mas descartou uma recessão.
Desaceleração e ano eleitoral
Alexandre Lintz, economista-chefe do BNP Paribas no Brasil, alerta para o impacto da crise no crescimento brasileiro.
"O que vemos é que o preço de ações e commodities está despencando nos últimos dias, ou seja, os investidores estão mais pessimistas sobre o crescimento global", afirma.
"A parte mais importante da crise é saber como ela afeta o nível de atividade (da economia real do mundo). Se essa crise externa for realmente pesada, ela vai levar a uma desaceleração global e de preço de commodities. Esse é o grande risco para o Brasil", diz Lintz.
Na opinião de Lintz, a desaceleração do crescimento da economia brasileira poderia gerar desconfiança entre os investidores em relação aos gastos públicos brasileiros.
"O Brasil é muito equilibrado no cenário macroeconômico quando o país está crescendo, porque, nesse cenário, a arrecadação é alta e o governo consegue sustentar esse gasto elevado. Com uma desaceleração da economia, não está claro como o governo vai reagir aos gastos, principalmente sendo que o ano que vem será de eleições. Então o investidor começa a se perguntar sobre o governo brasileiro."
Inflação e juro
Um dos riscos de uma valorização contínua do dólar seria o aumento da inflação no Brasil. Para os analistas, no entanto, os preços no Brasil só teriam uma escalada em caso de disparada do dólar.
Para Lintz, se o dólar se mantiver no atual nível durante as próximas semanas – em torno de R$ 2,10 – o aumento calculado no índice de inflação IPCA seria de cerca de 0,8%.
Nesse caso, a inflação até poderia passar do centro da meta do governo federal, que é de 4,5%, mas ainda assim ficaria dentro da meta oficial, que possui margem de oscilação de dois pontos para mais ou para menos.
"O fato de a inflação estar muito baixa e a expectativa de inflação estar muito bem ancorada, limita esse repasse potencial (da mudança cambial para a inflação)", afirma Lintz.
Segundo ele, mesmo no caso de uma valorização grande do dólar, o Banco Central ainda poderia influir no mercado de câmbio, pois possui reservas elevadas – de cerca de US$ 158 bilhões.
"O governo se protegeu bastante para essa eventual crise. Então seria a hora de usar esse seguro todo", diz.
Outra preocupação dos analistas é em relação ao juro brasileiro, que vem seguindo uma tendência de queda a cada reunião do Copom.
"Em relação à taxa de juros, eu acho que nós estamos muito dependentes no cenário externo e em como o Federal Reserve (banco central americano) vai se comportar daqui para frente" diz Roberto Teixeira da Costa, sócio-fundador da Prospectiva Consultoria.
"O quadro externo é o que preocupa mais. Nós não temos uma transparência muito clara da encrenca do subprime. O que era uma crise de subprime acabou extravasando para uma crise de confiança, que é muito mais difícil de administrar."
Tamanho do problema
Os analistas brasileiros divergem sobre o tamanho do problema nos mercados globais.
Para Costa, "os acontecimentos recentes mostram que estamos vivendo uma coisa mais séria do que uma simples freada de acomodação".
Já a economista Ana Carla Abrão Costa, da Tendências Consultoria, acredita que a atual instabilidade não vai durar por muito tempo e que, portanto, a economia brasileira não estaria exposta a uma crise.
A Tendências Consultoria mantém a previsão feita antes das turbulências recentes de que o dólar fechará o ano abaixo de R$ 1,90.
Segundo a economista, é necessário haver um sinal mais claro – como a quebra de uma grande instituição internacional – para caracterizar a atual turbulência como crise.
