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A base é a educação |
Falta incentivo ao protagonismo juvenil no semi-árido
Agência de Notícias do Direito da Infância Com poucas chances de emprego, mobilização é uma alternativa para evitar o êxodo aos grandes centros urbanos. Contudo, falta quem oriente os jovens para uma maior participação social
Um retrato do semi-árido, construído a partir da ótica da população juvenil e de especialistas que trabalham com esse público, revela que aqueles que têm menos de 18 anos na região dispõem de poucas chances de conseguir uma ocupação produtiva. Querem agir para melhorar esse quadro, mas não possuem o respaldo do poder público, que não oferece espaços de participação. Quando encontram algum apoio, organizam-se em coletivos e associações, na luta para criar condições à permanência em sua terra de origem.
Para a composição desta sugestão de pauta foram ouvidos – por meio de questionário –adolescentes da Rede Sou de Atitude. A organização, presente em 34 municípios (seis do semi-árido), visa estimular a participação política da população infanto-juvenil. Também foi entrevistado Elisio Gomes, gerente nacional de operações da ONG Visão Mundial, que desenvolve ações no semi-árido dos estados de Alagoas, Bahia, Paraíba, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.
Segundo os adolescentes da Rede Sou de Atitude, muitos jovens do semi-árido brasileiro estão alheios aos problemas relativos às suas comunidade e não têm interesse em fazer parte de grupos com fins sociais. Mas isso ocorre porque poucas escolas dão ênfase ao protagonismo juvenil nas atividades que oferecem. Também não há nenhum incentivo à mudança de postura por parte dos prefeitos nem da sociedade em geral, que faz pouco caso dessa ociosidade.
Na visão de Elisio Gomes, os jovens têm grande potencial para o protagonismo, desde que haja um agente externo que os motive. “É difícil eles se engajarem sem uma organização à frente. Os sindicatos de trabalhadores rurais são as organizações mais atuantes junto à juventude”, explica. Mas, segundo o especialista, não se deve esperar que esse incentivo venha do poder público. “Se as prefeituras quisessem, poderiam buscar apoio em programas nacionais para valorizar os jovens. Mas a maioria não se interessa porque não quer o jovem participando, já que o adolescente questiona e isso, no nosso contexto, incomoda”, afirma. Como exemplo, Elisio cita casos nos quais estudantes reclamam da qualidade – ou ausência – de transporte escolar, causando desconforto para as administrações municipais.
A necessidade de agentes externos que mobilizem e orientem a juventude a lutar por seus direitos é explicitada na pesquisa “Participação Política das Crianças e Adolescentes do Semi-árido Brasileiro”, divulgada pela Agência de Notícias da Infância Matraca no final de 2006. Na sondagem feita com 3,1 mil adolescentes com idade entre 15 e 16 anos, a maioria afirmou querer participar ativamente das decisões tomadas pelas autoridades e melhorar a vida da comunidade. Mas reclamam da falta de informações de como fazê-lo. O levantamento abrangeu 310 municipios dos 11 estados do semi-árido.
Outro empecilho ao protagonismo é a falta de noção dos seus próprios direitos e deveres, situação de mais da metade dos jovens envolvidos na pesquisa. Apenas 24% dos entrevistados conhecem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e 34% não sabem absolutamente nada sobre a lei.
Mercado de trabalho
A maioria dos adolescentes que vivem no semi-árido vai à escola. Mas, na opinião deles mesmos, não sabem para quê estão estudando, face à falta de perspectivas. O acesso ao mercado de trabalho é difícil, seja pelo despreparo, pela falta de incentivo dos governos – em seus três níveis – ou devido à deficiência de vagas. Alguns municípios chegam a oferecer oportunidades de emprego para a juventude, a exemplo da cidade pernambucana de Ouricuri, onde se situa um pólo produtor de gesso. Mas em muitas localidades vizinhas a situação é desfavorável.
Elisio Gomes, da Visão Mundial, confirma a dificuldade dos jovens para conseguirem uma atividade na região. Entretanto, pondera que esta não é uma peculiaridade do semi-árido, mas uma situação comum em muitas cidades do interior de todo o País. “Se você está numa região que não tem muitas oportunidades de trabalho, onde não há uma indústria, um comércio, só resta a agricultura e os concursos públicos. Ou você está no campo ou na prefeitura”, diz. Segundo Gomes, muitos desenvolvem atividades artesanais interessantes, mas acabam nas mesmas condições de desvantagem, já que o semi-árido não absorve a produção.
Migração
Diante da falta de empregos, a migração é vista pelos jovens do semi-árido como uma opção atrativa. Isso porque nessa idade eles não têm ainda fatores como esposa e filhos, que poderiam prendê-los ao local de origem. Aqueles que não seguem para os grandes centros urbanos são os que decidem trabalhar na agricultura, a exemplo dos pais.
Elisio Gomes acompanha o fenômeno e diz que o êxodo rural é uma prática comum entre a juventude, mas assumiu novas características ao longo do tempo. Segundo ele, hoje os jovens ainda deixam sua terra, mas com a intenção de voltar após um período no qual tentam conseguir dinheiro nas grandes cidades. “Isso de certa forma diminui o êxodo”, avalia.
Infelizmente o preconceito em relação ao semi-árido e sua população também é uma das causas da migração dos jovens. “O povo do semi-árido é muito discriminado em todas as esferas. A região é tida como uma desgraça, um atraso para o País. E isso faz com que as pessoas se desmotivem e tentem sair. A idéia que eles têm é completar 18 anos para ir para São Paulo”, afirma Elisio Gomes. Questionados sobre essa realidade, os adolescentes da Rede Sou de Atitude afirmam que a discriminação se origina do desconhecimento e vem tanto dos próprios estados nos quais o semi-árido está inserido quanto das regiões vizinhas.
Defasagem cultural
Através dos depoimentos dos jovens, nota-se que o acesso à cultura é restrito. Os adolescentes se sentem excluídos frente à inexistência de cinemas, vídeo-locadoras, teatros e bibliotecas em muitas cidades do interior. Eles creditam as deficiências à negligência da administração pública. Resta-lhes o folclore regional, que segundo eles nem sempre é tratado com o devido respeito pelos políticos.
A televisão acaba sendo o meio de comunicação e de cultura mais acessível. Para eles é uma importante ferramenta, que contribui para incentivar a educação. Por outro lado, pode se tornar uma “arma”, já que a realidade vivida pelos adolescentes da região é bem diferente do que é reproduzido na TV. Um dos principais prejuízos da exposição a conteúdos tão diversos de seu cotidiano é a criação de uma fantasia relacionada à migração para os grandes centros, em busca de uma vida semelhante àquela mostrada em novelas, séries ou filmes.
Organizações juvenis buscam melhorias no semi-árido
Mesmo sem o respaldo do poder público, existem na região experiências que demonstram o potencial jovem no semi-árido. Conheça três iniciativas que provam que, com o devido incentivo e orientação, esse público pode agir de forma eficaz para monitorar e contribuir ao aperfeiçoamento de políticas que possibilitem a permanência em sua terra de origem e melhorem a vida de suas famílias.
Rede Sou de atitude – Criada em 2003 pela Cipó - Comunicação Interativa, promove a participação da população infanto-juvenil para monitorar as políticas públicas. A Rede é composta por 35 grupos de jovens que têm um olhar sensível à mobilização social, articulados em 22 núcleos, distribuídos em 12 estados e no Distrito Federal. Os participantes acompanham, a partir de suas próprias comunidades, programas e ações em sua área, para conhecê-los e apresentar sugestões à sua melhoria. Por meio desse monitoramento torna-se possível fazer denúncias, apontar erros e falhas e divulgar o que está dando certo. “São os próprios jovens que devem fazer isso”, acredita a educadora da Sou de Atitude, Carol Garcia.
Coletivo de Jovens Organizados – Criado pelo MOC (Movimento de Organização Comunitária) em 2004, estimula a população juvenil a se organizar para construir a cidadania. Atualmente, existem 22 Coletivos Municipais de Jovens, coordenados por eles próprios. Os participantes recebem capacitação temática em planejamento estratégico, políticas públicas, economia e empreendimentos solidários, entre outras atividades formativas. Atuam na geração de trabalho e renda na agricultura familiar; na comunicação através de programas de rádio e informativos; na promoção cultural, com apresentações artísticas de grupos de teatro e de dança; e no lazer, promovendo campeonatos de futebol e gincanas. Há também programas de saúde, com orientações aos jovens rurais sobre DST/Aids e gravidez na adolescência.
O foco das ações é a convivência com o semi-árido e a formação de multiplicadores. “Para isso é preciso mostrar aos jovens que existe oportunidade no campo, que não há necessidade de irem para as grandes cidades”, explica Emanuel Mendonça, coordenador do coletivo. Segundo ele, é imprescindível modificar a mentalidade de grande parte da juventude, que acha a cidade desenvolvida e o campo subdesenvolvido. “Essa mudança deve começar nas escolas”, afirma.
Rede de Protagonismo Juvenil da Bahia – Em parceria com outras mobilizações de natureza similar – inclusive o Coletivo de Jovens –, articula um fórum de protagonismo juvenil. De acordo com o coordenador Daniel Miranda, o objetivo da Rede é capacitar a juventude para que participe ativamente do debate público, monitorando a gestão pública, as ações e gastos do governo para a melhoria do semi-árido. Outro ponto importante é discutir a geração de renda na região, através do incentivo aos jovens para que trabalhem na zona rural. A Rede mobiliza o governo para trazer esse assunto à tona, principalmente nas escolas. “Existe uma mentalidade de migração entre os jovens que não têm acesso a informação. Queremos incentivá-los a permanecerem no campo. Mostrar que se pode gerar renda e ter qualidade de vida na zona rural”, explica Miranda. Para o coordenador, o trabalho está tendo um resultado positivo. “Recentemente os jovens participantes levaram propostas de investimento na zona rural ao Ministério da Agricultura. Essas atitudes mobilizam o governo, que passa a investir mais na região”, diz ele.
Evento nacional leva jovens rurais à Brasília
Trazer as reivindicações da juventude que mora e trabalho no campo ao Legislativo é o objetivo da 2ª Jornada Nacional da Juventude Rural, que acontece de 16 a 20 de setembro na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (BR 040 - Km 9,5 – Luziânia-GO), próximo à capital federal. O evento contará com 600 participantes de 15 a 23 anos, vindos de 20 estados. Irão acompanhá-los 100 educadores. “Eles querem discutir alternativas para que o jovem possa permanecer no campo e não sair para as grandes cidades. Isso envolve acesso a novas tecnologias, financiamento e melhorias na educação voltada a este público”, explica Jussara de Goiás, consultora do Instituto Souza Cruz, promotor da jornada. Ela explica que será solicitado ao Congresso Nacional que no dia 20 haja a instalação de uma Comissão Geral, momento no qual os próprios jovens poderão apresentar suas propostas em plenário.
Um retrato do semi-árido, construído a partir da ótica da população juvenil e de especialistas que trabalham com esse público, revela que aqueles que têm menos de 18 anos na região dispõem de poucas chances de conseguir uma ocupação produtiva. Querem agir para melhorar esse quadro, mas não possuem o respaldo do poder público, que não oferece espaços de participação. Quando encontram algum apoio, organizam-se em coletivos e associações, na luta para criar condições à permanência em sua terra de origem.
Para a composição desta sugestão de pauta foram ouvidos – por meio de questionário –adolescentes da Rede Sou de Atitude. A organização, presente em 34 municípios (seis do semi-árido), visa estimular a participação política da população infanto-juvenil. Também foi entrevistado Elisio Gomes, gerente nacional de operações da ONG Visão Mundial, que desenvolve ações no semi-árido dos estados de Alagoas, Bahia, Paraíba, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.
Segundo os adolescentes da Rede Sou de Atitude, muitos jovens do semi-árido brasileiro estão alheios aos problemas relativos às suas comunidade e não têm interesse em fazer parte de grupos com fins sociais. Mas isso ocorre porque poucas escolas dão ênfase ao protagonismo juvenil nas atividades que oferecem. Também não há nenhum incentivo à mudança de postura por parte dos prefeitos nem da sociedade em geral, que faz pouco caso dessa ociosidade.
Na visão de Elisio Gomes, os jovens têm grande potencial para o protagonismo, desde que haja um agente externo que os motive. “É difícil eles se engajarem sem uma organização à frente. Os sindicatos de trabalhadores rurais são as organizações mais atuantes junto à juventude”, explica. Mas, segundo o especialista, não se deve esperar que esse incentivo venha do poder público. “Se as prefeituras quisessem, poderiam buscar apoio em programas nacionais para valorizar os jovens. Mas a maioria não se interessa porque não quer o jovem participando, já que o adolescente questiona e isso, no nosso contexto, incomoda”, afirma. Como exemplo, Elisio cita casos nos quais estudantes reclamam da qualidade – ou ausência – de transporte escolar, causando desconforto para as administrações municipais.
A necessidade de agentes externos que mobilizem e orientem a juventude a lutar por seus direitos é explicitada na pesquisa “Participação Política das Crianças e Adolescentes do Semi-árido Brasileiro”, divulgada pela Agência de Notícias da Infância Matraca no final de 2006. Na sondagem feita com 3,1 mil adolescentes com idade entre 15 e 16 anos, a maioria afirmou querer participar ativamente das decisões tomadas pelas autoridades e melhorar a vida da comunidade. Mas reclamam da falta de informações de como fazê-lo. O levantamento abrangeu 310 municipios dos 11 estados do semi-árido.
Outro empecilho ao protagonismo é a falta de noção dos seus próprios direitos e deveres, situação de mais da metade dos jovens envolvidos na pesquisa. Apenas 24% dos entrevistados conhecem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e 34% não sabem absolutamente nada sobre a lei.
Mercado de trabalho
A maioria dos adolescentes que vivem no semi-árido vai à escola. Mas, na opinião deles mesmos, não sabem para quê estão estudando, face à falta de perspectivas. O acesso ao mercado de trabalho é difícil, seja pelo despreparo, pela falta de incentivo dos governos – em seus três níveis – ou devido à deficiência de vagas. Alguns municípios chegam a oferecer oportunidades de emprego para a juventude, a exemplo da cidade pernambucana de Ouricuri, onde se situa um pólo produtor de gesso. Mas em muitas localidades vizinhas a situação é desfavorável.
Elisio Gomes, da Visão Mundial, confirma a dificuldade dos jovens para conseguirem uma atividade na região. Entretanto, pondera que esta não é uma peculiaridade do semi-árido, mas uma situação comum em muitas cidades do interior de todo o País. “Se você está numa região que não tem muitas oportunidades de trabalho, onde não há uma indústria, um comércio, só resta a agricultura e os concursos públicos. Ou você está no campo ou na prefeitura”, diz. Segundo Gomes, muitos desenvolvem atividades artesanais interessantes, mas acabam nas mesmas condições de desvantagem, já que o semi-árido não absorve a produção.
Migração
Diante da falta de empregos, a migração é vista pelos jovens do semi-árido como uma opção atrativa. Isso porque nessa idade eles não têm ainda fatores como esposa e filhos, que poderiam prendê-los ao local de origem. Aqueles que não seguem para os grandes centros urbanos são os que decidem trabalhar na agricultura, a exemplo dos pais.
Elisio Gomes acompanha o fenômeno e diz que o êxodo rural é uma prática comum entre a juventude, mas assumiu novas características ao longo do tempo. Segundo ele, hoje os jovens ainda deixam sua terra, mas com a intenção de voltar após um período no qual tentam conseguir dinheiro nas grandes cidades. “Isso de certa forma diminui o êxodo”, avalia.
Infelizmente o preconceito em relação ao semi-árido e sua população também é uma das causas da migração dos jovens. “O povo do semi-árido é muito discriminado em todas as esferas. A região é tida como uma desgraça, um atraso para o País. E isso faz com que as pessoas se desmotivem e tentem sair. A idéia que eles têm é completar 18 anos para ir para São Paulo”, afirma Elisio Gomes. Questionados sobre essa realidade, os adolescentes da Rede Sou de Atitude afirmam que a discriminação se origina do desconhecimento e vem tanto dos próprios estados nos quais o semi-árido está inserido quanto das regiões vizinhas.
Defasagem cultural
Através dos depoimentos dos jovens, nota-se que o acesso à cultura é restrito. Os adolescentes se sentem excluídos frente à inexistência de cinemas, vídeo-locadoras, teatros e bibliotecas em muitas cidades do interior. Eles creditam as deficiências à negligência da administração pública. Resta-lhes o folclore regional, que segundo eles nem sempre é tratado com o devido respeito pelos políticos.
A televisão acaba sendo o meio de comunicação e de cultura mais acessível. Para eles é uma importante ferramenta, que contribui para incentivar a educação. Por outro lado, pode se tornar uma “arma”, já que a realidade vivida pelos adolescentes da região é bem diferente do que é reproduzido na TV. Um dos principais prejuízos da exposição a conteúdos tão diversos de seu cotidiano é a criação de uma fantasia relacionada à migração para os grandes centros, em busca de uma vida semelhante àquela mostrada em novelas, séries ou filmes.
Organizações juvenis buscam melhorias no semi-árido
Mesmo sem o respaldo do poder público, existem na região experiências que demonstram o potencial jovem no semi-árido. Conheça três iniciativas que provam que, com o devido incentivo e orientação, esse público pode agir de forma eficaz para monitorar e contribuir ao aperfeiçoamento de políticas que possibilitem a permanência em sua terra de origem e melhorem a vida de suas famílias.
Rede Sou de atitude – Criada em 2003 pela Cipó - Comunicação Interativa, promove a participação da população infanto-juvenil para monitorar as políticas públicas. A Rede é composta por 35 grupos de jovens que têm um olhar sensível à mobilização social, articulados em 22 núcleos, distribuídos em 12 estados e no Distrito Federal. Os participantes acompanham, a partir de suas próprias comunidades, programas e ações em sua área, para conhecê-los e apresentar sugestões à sua melhoria. Por meio desse monitoramento torna-se possível fazer denúncias, apontar erros e falhas e divulgar o que está dando certo. “São os próprios jovens que devem fazer isso”, acredita a educadora da Sou de Atitude, Carol Garcia.
Coletivo de Jovens Organizados – Criado pelo MOC (Movimento de Organização Comunitária) em 2004, estimula a população juvenil a se organizar para construir a cidadania. Atualmente, existem 22 Coletivos Municipais de Jovens, coordenados por eles próprios. Os participantes recebem capacitação temática em planejamento estratégico, políticas públicas, economia e empreendimentos solidários, entre outras atividades formativas. Atuam na geração de trabalho e renda na agricultura familiar; na comunicação através de programas de rádio e informativos; na promoção cultural, com apresentações artísticas de grupos de teatro e de dança; e no lazer, promovendo campeonatos de futebol e gincanas. Há também programas de saúde, com orientações aos jovens rurais sobre DST/Aids e gravidez na adolescência.
O foco das ações é a convivência com o semi-árido e a formação de multiplicadores. “Para isso é preciso mostrar aos jovens que existe oportunidade no campo, que não há necessidade de irem para as grandes cidades”, explica Emanuel Mendonça, coordenador do coletivo. Segundo ele, é imprescindível modificar a mentalidade de grande parte da juventude, que acha a cidade desenvolvida e o campo subdesenvolvido. “Essa mudança deve começar nas escolas”, afirma.
Rede de Protagonismo Juvenil da Bahia – Em parceria com outras mobilizações de natureza similar – inclusive o Coletivo de Jovens –, articula um fórum de protagonismo juvenil. De acordo com o coordenador Daniel Miranda, o objetivo da Rede é capacitar a juventude para que participe ativamente do debate público, monitorando a gestão pública, as ações e gastos do governo para a melhoria do semi-árido. Outro ponto importante é discutir a geração de renda na região, através do incentivo aos jovens para que trabalhem na zona rural. A Rede mobiliza o governo para trazer esse assunto à tona, principalmente nas escolas. “Existe uma mentalidade de migração entre os jovens que não têm acesso a informação. Queremos incentivá-los a permanecerem no campo. Mostrar que se pode gerar renda e ter qualidade de vida na zona rural”, explica Miranda. Para o coordenador, o trabalho está tendo um resultado positivo. “Recentemente os jovens participantes levaram propostas de investimento na zona rural ao Ministério da Agricultura. Essas atitudes mobilizam o governo, que passa a investir mais na região”, diz ele.
Evento nacional leva jovens rurais à Brasília
Trazer as reivindicações da juventude que mora e trabalho no campo ao Legislativo é o objetivo da 2ª Jornada Nacional da Juventude Rural, que acontece de 16 a 20 de setembro na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (BR 040 - Km 9,5 – Luziânia-GO), próximo à capital federal. O evento contará com 600 participantes de 15 a 23 anos, vindos de 20 estados. Irão acompanhá-los 100 educadores. “Eles querem discutir alternativas para que o jovem possa permanecer no campo e não sair para as grandes cidades. Isso envolve acesso a novas tecnologias, financiamento e melhorias na educação voltada a este público”, explica Jussara de Goiás, consultora do Instituto Souza Cruz, promotor da jornada. Ela explica que será solicitado ao Congresso Nacional que no dia 20 haja a instalação de uma Comissão Geral, momento no qual os próprios jovens poderão apresentar suas propostas em plenário.
