Noticias, Feeds
18/3/2008
STJ mantém proibição de cobrança de tarifa de esgoto dos consumidores em MG.
28/2/2008
Município tem legitimidade para propor ação contra danos ambientais
17/9/2007
Congresso internacional reúne reitores em Belo Horizonte
Protocolo de Montreal é marco ambiental

outras notícias


fique por dentro
Artigos

123
Missão: salvar o planeta
Thomas Wood Jr.
A base é a educação
outros artigos
Leia outras notícias Notícias

Lei de incentivo pode injetar R$ 350 milhões em esportes

Valor Econômico/Por Francisco Góes
O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, porta-bandeira do Brasil na abertura dos XV Jogos Pan-Americanos, tem entre os patrocinadores BM&F, Pão de Açúcar e Nike. Mas houve um tempo em que a equipe do atleta contava com pouquíssimos recursos. A história de Lima, criado no interior do Paraná em uma família de bóias-frias, é ilustrativa da situação do esporte olímpico no Brasil. No país do futebol, ganha força o apoio a atletas de alto rendimento, mas faltam investimentos na base para que mais jovens talentos possam transformar-se em novos ícones do esporte, como Lima.

"Precisamos de maiores incentivos e programas que levem à prática do atletismo. É preciso uma política que congregue recursos particulares e públicos, que resultará em benefícios para toda a sociedade", disse Lima, em entrevista por e-mail ao Valor, enquanto treinava em Paipa, vilarejo a 2,5 mil metros de altitude, na Colômbia.

Um dos planos do maratonista é estruturar em Campinas (SP) um instituto que levará o seu nome e terá como objetivo "oferecer espaço de crescimento humano e atlético para crianças de baixa renda." A entidade, em fase de concepção, será criada a partir da conjunção de esforços públicos e privados, diz Lima. Há ações semelhantes que buscam a inclusão social via esporte e o desenvolvimento de atletas de ponta patrocinadas por ongs, entidades sem fins lucrativos e empresas privadas.

Especialistas em esporte e executivos das confederações esportivas, nas diferentes modalidades, reconhecem que as condições de planejamento do esporte brasileiro melhoraram a partir da sanção da lei Agnelo/Piva, de 2001, pela qual 2% dos prêmios das loterias federais são repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Paraolímpico.

O COB repassa os recursos para as 28 confederações olímpicas do país, que investem em suas respectivas modalidades. A previsão do COB é de que, em 2007, sejam repassados ao esporte R$ 56 milhões via lei Agnelo/Piva, abaixo dos R$ 67,4 milhões de 2006. A lei contempla tanto o esporte de base quanto o de alto rendimento. O problema é que os recursos são insuficientes. Um estudo do COB mostra que os recursos da lei Agnelo/Piva correspondem a cerca de um terço das necessidades financeiras do esporte brasileiro.

No momento aguarda-se com expectativa a regulamentação da lei de incentivo fiscal ao esporte, sancionada pelo presidente Lula, em 2006, e que prevê que pessoas físicas e jurídicas invistam no esporte deduzindo parcela do imposto de renda a pagar. A proposta de regulamentação está em análise na Casa Civil. A previsão é que, com a nova lei, o setor disponha de R$ 350 milhões para investimentos já no primeiro ano. Manoel Felix Cintra Neto, presidente do conselho de administração da BM&F, avalia que o incentivo é importante como fator indutor de investimento no esporte. A BM&F investe cerca de US$ 1 milhão por ano no atletismo e mantém um clube que conta com 95 atletas e 10 técnicos, além de equipe médica.

"A expectativa é que a lei permita duplicar o investimento do grupo no esporte", diz José Paulo Soares Martins, diretor do Instituto Gerdau. O grupo Gerdau investe R$ 2 milhões por ano em atividades esportivas como meio de inclusão social em comunidades de baixa renda. O grupo Pão de Açúcar, que investirá R$ 10 milhões em patrocínio ao esporte em 2007, ainda avalia os efeitos da nova lei, diz Renata Gomide, gerente de marketing esportivo da empresa.

Para o medalhista olímpico Robson Caetano, a ponte entre escola e clube, importante para o desenvolvimento do esporte, está "ruída" no Brasil. Para ele, investir na base é fundamental para produzir novos ícones do esporte no futuro.

Hoje os grandes patrocinadores do esporte brasileiro, sobretudo no alto rendimento, são empresas estatais, com destaque para os Correios, Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil (BB). Os Correios vão repassar este ano R$ 9,6 milhões à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). "Graças aos Correios a natação brasileira é o que é", diz Coaraci Nunes, presidente da CBDA.

A CEF apoiará a Confederação Brasileira de Atletismo (Cbat) com R$ 10,5 milhões em 2007, além de ser a patrocinadora oficial das seleções masculina e feminina de ginástica. Já o BB, que investirá R$ 50 milhões em esportes no Brasil em 2007, fez uma parceria de sucesso com o vôlei que permitiu ótimos resultados à modalidade nos últimos anos. O apoio ao vôlei surgiu da necessidade do BB de rejuvenescer a base de clientes e aumentar o reconhecimento da marca.

Paulo Márcio Nunes da Costa, superintendente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), diz que o campeonato brasileiro, disputado todos os anos em três divisões, é um celeiro de talentos. A inauguração, em 2003, do Centro de Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema (RJ), também contribuiu para o desenvolvimento do esporte, assim como ocorreu com a ginástica, que montou um centro de treinamento em Curitiba (PR).